Auto-gratidão

Em uma oficina da qual participei recentemente, fui encorajada a escrever uma carta para mim mesma. Diferente do cliche (que eu amo, por sinal) “escreva uma carta para você no passado”, a ideia era que buscássemos razões para nos agradecer, e até mesmo parabenizar, pela pessoa que nos tornamos. Continuar lendo

Querido primeiro amor.

Bom, esse começo vai ser meio estranho. Principalmente porque olhando na caixinha da nossa conversa, nossa última interação foi há exatamente um ano atrás. Mais precisamente no teu último aniversário. Parabéns, a propósito. Espero que nesse ano em que eu não falei contigo tu tenha sido muito feliz. Espero isso de todos os anos em que nós não nos falamos, aliás. Não lembro da última vez que eu vi o teu rosto, então deduzo que já deve ter passado de uma quantia não muito digna de se mencionar agora.

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Speak Now

Nunca foi uma cultura da minha família se expressar abertamente sobre sentimentos. Mesmo que isso me engula viva, eu fui ensinada (subconscientemente) a não me impor, a não fazer minha opinião valer, a sentir mas não vocalizar. Com o tempo, se tornou cada vez mais difícil responder a determinadas situações de maneira espontânea; meu medo de ficar vulnerável me impedindo de dizer e fazer aquilo que meu impulso pedia. Continuar lendo

Não passarão.

Hoje tinha tudo para ser um dia normal. Acordei, me arrumei, tomei meu café e sai para trabalhar. Eu sentei no ônibus que eu pego todos os dias, no mesmo horário, com as mesmas pessoas, fazendo o mesmo trajeto. Hoje tinha tudo para ser um dia normal, mas não foi. Não foi porque ontem explodiu na mídia a notícia de que uma menina de 16 anos havia sido violentada sexualmente por 33 homens no Rio de Janeiro. Hoje, ao olhar para todos os homens a minha volta, eu enxerguei uma ameaça muito maior da qual eu enxergo normalmente. Eu senti nojo, senti vontade de abrir o berreiro ali mesmo. Provavelmente haviam mais de trinta homens dentro do veículo, e o meu único pensamento era: “se algum deles tentasse me violentar, os outros tentariam impedir ou compactuariam com a situação?”. Continuar lendo

Não queremos flores.

Na semana que antecedeu o dia da mulher, a internet foi inundada por diversas manifestações femininas sobre o assunto. Reflexo das atitudes durante a mesma data no ano passado, as internautas trataram de deixar claro que existem milhares de coisas mais relevantes no dia da mulher do que ganhar flores. Tópicos que ressaltam a desigualdade entre os sexos foram mencionados, tendo como objetivo colocar em discussão a hipocrisia de festejar o dia da mulher em meio a tanto machismo. Continuar lendo